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Leonardo Silveira

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Embrapa faz descoberta que promete mudar alimentação animal

Pesquisadores conseguiram criar mamona sem veneno que poderá ser usada em ração
Embrapa faz descoberta que promete mudar alimentação animal

Cientistas conseguiram resolver um dos maiores desafios da alimentação animal. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveram uma mamona sem ricina, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas que chega a ser citada na Convenção Internacional para Proibição de Armas Químicas.

 

Proteína presente na semente da planta, a ricina inviabiliza o uso da torta de mamona, subproduto do processamento do óleo de mamona, na alimentação animal. Por isso, mesmo sendo potencialmente interessante para consumo na pecuária, o produto passou a ser descartado pelos produtores rurais.

Descoberta
Em pesquisa conduzida pela equipe da Embrapa, foram geradas mamoneiras sem a presença de ricina por meio de silenciamento gênico, técnica que permite “desligar” genes específicos.

Além disso, proteínas das sementes foram usadas em experimentos com ratos em uma quantidade de 15 a 230 vezes os valores da dose letal mediana, suficiente para matar metade da população dos animais pesquisados, e todo o grupo sobreviveu sem sequelas.

“Uma vez incorporado, esse resultado promoverá grandes impactos econômicos na cadeia produtiva da mamona e da produção animal, com inserção estratégica e competitiva na bioeconomia”, diz o pesquisador Francisco Aragão.

Mercado promissor
O teor de óleo na semente de mamona varia de 40% a 43%. Após extração, a torta resultante é utilizada como fertilizante orgânico, com baixo valor no mercado. A torta de mamona sem ricina poderá ser utilizada na formulação de rações animais, elevando, assim, seu valor de mercado.

Considerando a produção nacional estimada para a safra de 2017/2018 de 16,2 mil toneladas de bagas de mamona e que a torta representa cerca de 60% desse montante, a produção de torta da oleaginosa poderá ser de 9,7 mil toneladas para o aproveitamento na alimentação animal. Além do Brasil, a tecnologia tem potencial para ser empregada em outros países produtores de mamona, com destaque para Estados Unidos, Índia e China.

Próximos passos
Para que a mamona sem ricina chegue ao mercado, há diversas etapas a serem percorridas. “O próximo passo deverá ser a associação da Embrapa com empresa privada para incorporar a característica genética em cultivares de interesse comercial”, detalha o pesquisador José Manuel Cabral.

Após essa fase, a ser desenvolvida em laboratórios, será iniciada a etapa de experimentos em campo, para determinação dos parâmetros necessários para o registro dessas novas cultivares no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em seguida, será necessário preparar o processo para aprovação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). “Para percorrer todo esse caminho, o lançamento comercial da mamona sem ricina deverá demorar entre quatro a cinco anos, prazo necessário para cumprir todas as exigências da legislação brasileira”, prevê.

Mamona

A planta é a única fonte comercial de ácido ricinoléico, aquele que apresenta o maior índice de viscosidade e estabilidade entre os óleos vegetais. Por isso, seu emprego é valorizado na indústria automobilística, em sistemas de freios, e até na indústria aeroespacial, que o utiliza em forma de fluidos de aeronaves e foguetes.


O óleo de rícino, também conhecido como óleo de mamona, e seus derivados são utilizados na indústria química, farmacêutica, cosmética e de lubrificantes de alta qualidade. As sementes, depois de industrializadas, dão origem ao óleo e à torta de mamona, que é o resíduo da extração do óleo, e consiste no mais tradicional e importante subproduto dessa cadeia produtiva.

 
 

Produção mundial

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), os principais países produtores de mamona são a Índia (74%), China (13%), Brasil (6,1%) e Moçambique (2,5%). Os maiores consumidores são China, Estados Unidos, França, Alemanha e Japão.


A produção brasileira na safra 2017/2018 teve um incremento de 23,7% em relação à safra anterior, atingindo cerca de 16,2 mil toneladas em uma área de pouco menos de 34 mil hectares. A principal região produtora é o Nordeste, sendo que a Bahia responde por mais de metade da produção.

Fonte(s): Canal Rural

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